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PROFESSORA DA FACULDADE COORDENA MANUAL QUE RELACIONA SAÚDE COM VIAGEM AÉREA

 

A professora Dr.ª Vânia Elizabeth Ramos Melhado e os alunos integrantes da Liga de Medicina Aeroespacial da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo desenvolveram o manual “Doutor, Posso Viajar de Avião?” com recomendações aos passageiros, médicos e tripulantes sobre os cuidados a serem tomados antes e durante os voos, tendo em vista, principalmente, as doenças pré-existentes.

O trabalho desmistifica a questão da temida trombose venosa ao explicar que até hoje não existe evidência de riscos maiores no ambiente do avião do que em outros locais. No entanto, em voos com mais de quatro horas é necessária uma avaliação médica para aqueles com fatores de risco. A professora explica também que o tempo mínimo para um voo após uma cirurgia abdominal é de 5 a 7 dias e de uma cirurgia oftalmológica, em que houve injeção de ar, de 5 a 10 dias, mas se não houve injeção de ar, pode-se viajar logo após a intervenção.

O manual destaca ainda que é contra-indicada a viagem aérea na existência de qualquer infecção, seja uma gripe, seja uma sinusite ou uma infecção intestinal. O motivo é que, recebendo a bordo um ar mais pobre em oxigênio, o organismo tem maior dificuldade em combater a infecção, que geralmente se agrava.

Por uma decisão do Conselho Federal de Medicina, o manual “Doutor, Posso Viajar de Avião?” foi encaminhado à ANAC como subsídio às empresas aéreas, aos sindicatos das empresas de transporte aéreo e até às agências de viagem.

Para a professora Vânia esse é um trabalho pioneiro e muito necessário, pois ela, que há anos milita no meio aeronáutico e cuja tese de doutorado é sobre estresse de pilotos, conhece a demanda por um documento esclarecedor. Ela é procurada com frequência por funcionários de check-in que, ao receberem um passageiro com tampão no olho, recém-operado, ou alguém que se recupera de um infarto, não sabem informar se a pessoa pode ou não fazer uma viagem aérea.

As dúvidas se tornaram mais frequentes com a mudança socioeconômica da população do país, diz ela, pois nos três últimos anos um novo grupo passou a fazer viagens aéreas e os passageiros que viajam pela primeira vez têm grande número de dúvidas. O manual recomenda que o passageiro procure seu médico caso tenha doenças pré-existentes, pois a auto-medicação não é indicada.

Um exemplo é que se uma perna foi engessada sem a válvula para expansão do ar, é necessário esperar 48 horas antes de entrar em um avião, e só o médico de um paciente com sinusopatia, isto é, sujeito a crises de sinusite, pode dar recomendações sobre eventual medicação preventiva. É importante também que os insulino-dependentes consultem o médico e eventualmente levem uma receita para apresentar no embarque.

De acordo com a profa. Dr.ª  Vânia Melhado a trombose é um tema recorrente e por isso o manual insiste no assunto, explicando, por exemplo, que a meia elástica como prevenção pode ser considerada. Mais importante, conclui, é analisar os fatores de risco, que são somatórios e hoje é sabido que o uso do anticoncepcional pode aumentar o risco e que é importante informar o médico se há antecedentes familiares. A conclusão final, entretanto, é que viagens aéreas são muito seguras e de forma geral não representam risco, mas no caso de uma doença pré-existente, a indicação é consultar o manual e, caso necessário, não hesitar em telefonar para o médico.

Para acessar a cartilha com as recomendações sobre os cuidados a serem tomados antes e durante os voos, clique aqui.