Área Restrita

Cartilha bilíngue orienta gestantes latinoamericanas no Brasil

Cartilha da gestante (português) 
Libreta de la gestante (español)


Com o objetivo de instruir gestantes latinoamericanas, além das brasileiras, sobre a importância do acompanhamento pré-natal e os cuidados durante a gravidez, os acadêmicos do curso de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo apresentam a Cartilha da Gestante, com versões em espanhol e português. Este material é resultado de um projeto que mapeou a atual situação das grávidas e que visa orientá-las quanto aos detalhes do período de gestação. Esta iniciativa foi desenvolvida junto à Unidade Básica de Saúde (UBS) Bom Retiro, por meio do programa Pró-Saúde, estágio do Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde do Ministério da Saúde, que conta com a participação de alunos do Departamento de Medicina Social, oferecida pela Instituição de ensino. 

De acordo com o Dr. Oziris Simões, professor assistente do departamento de Medicina Social da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a Cartilha tem como função proporcionar o reconhecimento dos direitos dos imigrantes no Brasil e levá-los até os serviços de saúde. "O projeto visa transpor essas barreiras entre os imigrantes e os serviços de saúde básicos, especificamente para mulheres grávidas. A cartilha bilíngue ajuda no reconhecimento de problemas nas fases da gestação, como situações que acontecem com frequência durante a gravidez. Mesmo sem documentação de migração regular, as gestantes podem ser atendidas em uma UBS", afirma. 
O mesmo projeto, a partir de um estudo de reconhecimento do território realizado pelos acadêmicos, desenvolvido no Centro de Saúde Escola Barra Funda "Dr. Alexandre Vranjac", em parceria com o Núcleo de Apoio à Saúde da Família, propõe a realização de uma "Feira da Saúde". 

Na região do Bom Retiro, o estudo, que durou seis meses, permitiu a identificação de uma população local, composta principalmente por idosos, moradores que trabalham em outros bairros e que não utilizam com frequência o Centro de Saúde, imigrantes ilegais, majoritariamente bolivianos, e moradores de rua. Os imigrantes, em especial, constituem uma população que na sua maioria trabalha em oficinas de costura, sem vínculos empregatícios, em extensas jornadas, e apresentam problemas de saúde devido às más condições de trabalho e moradia e à falta de acesso aos serviços de saúde. A pesquisa identificou que os cuidados durante o período gestacional são deficientes, devido às imposições do trabalho e o medo de se expor. 

Segundo o Dr. Simões, após o reconhecimento de território, os alunos detectaram a presença dessa população oriunda de países latinos com uma série de dificuldades. Com a intensa participação da equipe da UBS, médicos, enfermeiros e agentes de saúde, foi identificada a necessidade de trabalhar com gestantes que não realizam pré-natal, entre outros cuidados na gravidez. "Há alguns obstáculos para que essas gestantes façam um acompanhamento correto e de qualidade da gestação. Elas trabalham praticamente o dia inteiro e, às vezes, sob condições irregulares, o que gera um receio sobre a perda do emprego", diz. 

Um grupo focal foi organizado com gestantes escolhidas aleatoriamente, permitindo conhecer completamente os problemas enfrentados por essas pacientes. Após eleger prioridades, elaborou-se a Cartilha que foi apresentada em rodas de discussões e jogos para avaliar sua aplicabilidade na comunidade, o que confirmou seus objetivos educacionais. O conteúdo do material é de fácil compreensão pelas gestantes brasileiras e imigrantes. Os textos abordam prevenções, doenças da gestação, mudanças de humor, depressão, uso de drogas, tabagismo e sinais do parto. Salientam também a importância dos familiares nesse período e os primeiros cuidados com o recém-nascido, assim como a vacinação deste no primeiro ano de vida. 

A Cartilha da Gestante já é distribuída na UBS Bom Retiro e em atividades da Faculdade na região central de São Paulo, porém ainda existe o objetivo de difundi-la em toda a cidade, inclusive traduzindo-a para o coreano, visto que muitos imigrantes deste país moram e trabalham na região da UBS. "Queremos que ela seja utilizada pelas futuras mães e pelos agentes de saúde como um guia de orientação e que chegue a todas as gestantes que necessitam de conhecimento", conclui. 

Em função da relevância, os estudos serão apresentados na Escócia durante a Conferência Internacional 2012 de Comunicação na Área da Saúde, que ocorrerá em setembro deste ano. O encontro é organizado pela Associação Europeia para a Comunicação na Área da Saúde.